Mostrando postagens com marcador Revisor de Textos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Revisor de Textos. Mostrar todas as postagens

22 de maio de 2013

Iniciais maiúsculas em títulos

 
 
A inicial maiúscula ocorre apenas na primeira palavra do título, pouco importando se adjetivo, artigo, substantivo, preposição etc., e nos nomes próprios. Assim, temos como exemplo: A mão e a luva, Memórias de um sargento de milícias, O espírito das leis. Nos títulos alternativos, a palavra que inicia a segunda parte também é grafada com maiúscula, como se começasse novo título.
 
Segundo a NBR 6023, é feita exceção para os títulos de periódicos, que são grafados com iniciais maiúsculas: Revista Brasileira de Filosofia.
 
ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008. Texto adaptado.

29 de janeiro de 2013

A técnica da revisão




O trabalho do corretor incia-se quando recebe o texto composto sobre papel comum ou papel fotográfico, acompanhado dos originais corespondentes, com vistas ao confronto entre ambos. E vale sempre lembrar que a mais segura orientação do compositor e do revisor está justamente na qualidade do original, i.e., a maneira como foi trabalhado pelo editor de textos. Esse original deve apresentar obrigatoriamente todas as marcações necessárias, sob o devido destaque, como sejam: tamanho do corpo, a família ou fonte tipográfica e o espaço das linhas, quer do texto principal, quer de títluos, numeração de páginas, cabeças de páginas, legendas (se houver) e notas, assim como quaisquer alterações dentro do texto, por exemplo quando da presença de tabelas, fórmulas matemáticas etc., que podem apresentar-se em corpo, família e espaçamento diferentes. Além disso, o original tem de encontrar-se normalizado de forma coerente, e.g., na ortografia, no uso de reduções, no sistema de citações etc. Ao compositor e sobretudo ao revisor - mas em última análise ao próprio supervisor editorial - compete igualmente fiscalizar as normas cabíveis às línguas estrangeiras.

ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro. Rio de Janeiro. Lexikon. 2008. pp. 367-368.

16 de outubro de 2012

Elefantíase, O homem elefante e a revisão de textos



Elefantíase é uma doença horrível que obstrui a circulação linfática, principalmente nas pernas; por isso tem esse nome, pois a perna fica com a aparência de uma pata de elefante.

Não mudei de profissão, apenas quis iniciar essa postagem com essa informação, pois li um texto sobre o assunto, cujo final me deixou com alguma dúvida. O redator, ao finalizar o texto, escreveu o seguinte:


O revisor de textos deve ser uma pessoa bem informada não somente sobre a técnica do trabalho, mas também sobre atualidades, cultura, ciência etc. Como boa conhecedora cultural, percebi logo de cara que o filme O homem elefante não se trata de elefantíase, mas de outra doença. Veja o que diz a Wikipédia:

Como podemos ver, não foi elefantíase a doença do personagem do filme, mas Síndrome de Proteus. Quando um revisor de textos estiver com alguma dúvida sobre um determinado assunto, não são as gramáticas e os manuais de revisão que irão ajudar.

Um bom revisor, como disse, além de estar atento às correções ortográficas, morfológicas, sintáticas, técnicas dentre outras, deve prestar atenção em informações erradas que aparecem, como nesse exemplo. Por isso, devemos tomar muito cuidado para que deslizes desse tipo não passem para edição.

Revisão também é cultura.

2 de outubro de 2012

Frase, gramaticalidade e inteligibilidade



Dentro da liberdade de combinações que é própria da fala ou discurso – liberdade que permite a cada qual expressar seu pensamento de maneira pessoal, sem ter de repetir sempre, servilmente, frases já feitas, já estereotipadas – há certos limites impostos pela gramática, limites que impedem a invenção de uma nova língua cada vez que se fala.

Nossa liberdade de construir frases está, assim, condicionada a um mínimo de gramaticalidade – que não significa apenas nem necessariamente correção (há frases que, apesar de, até certo ponto, incorretas, são plenamente inteligíveis). Carentes da articulação sintática necessária, as palavras se atropelam, não fazem sentido – e, quando não há nenhum sentido possível, não há frase, mas apenas um ajuntamento de palavras.

GARCIA, Othon Moacyr. Comunicação em prosa moderna. São Paulo: Editora FGV, 2010.

O revisor e a calculadora



Revisores, redatores e escritores cometem erros, mas estes devem ser percebidos antes de o texto ser publicado.

No meu trabalho, recebo textos de matemática em que faço a revisão dos cálculos. Se tiver algum problema, aviso o autor para rever o cálculo.

Mas, infelizmente, em alguns sites, algumas contas bem complexas não são revistas. Veja um exemplo que vi:

Segundo os meus cálculos de subtração:

2012 - 2003 = 9

Então, não foram 12 anos, mas há nove anos que o historiador britânico veio ao Brasil. Por isso, é bom ter cuidado quando for revisar algum cálculo. Além de caneta, lápis, borracha, devemos ter também uma boa calculadora.

22 de agosto de 2012

Um gato na revisão de textos



Quando se fala em erro, na nomenclatura do revisor de texto, existe o termo “gato”, que é a troca de palavra por outra. Vejam como isso pode prejudicar um trabalho na hora da revisão através de um texto do professor Eduardo Frieiro (1889-1982):
Quando Ramalho Ortigão esteve no Rio de Janeiro, a direção da Gazeta de Notícias, que era então o matutino mais lido pela população carioca, solicitou do escritor português um artigo de colaboração destinado a uma edição especial. O artigo foi escrito e apareceu com o título “O pássaro e as penas”, título que a muitos leitores causou estranheza, pois no artigo não se fazia a mínima alusão nem a pássaros nem a penas. No dia seguinte o jornal explicava o fato, retificando: “Por um engano de revisão”, dizia a corrigenda, “saiu deturpado o título do artigo do nosso ilustre colaborador senhor Ramalho Ortigão, que publicamos ontem. Onde se lê O pássaro e as penas devia-se ler O pássaro e o presunto”. Foi pior a emenda que o soneto. O título não era ainda esse, mas simplesmente O passado e o presente.
A construção do livro, 2008, p. 367

31 de maio de 2012

Honoré de Balzac, o horror dos copidesques



“A sua maneira de proceder” – depõe Gautier – “era esta: quando tinha longamente trazido consigo e vivido um assunto, numa escrita rápida, trôpega, contundida, quase hieroglífica, traçava uma espécie de cenário nalgumas páginas que mandava à tipografia, de onde voltavam tiras, isto é, colunas isoladas no meio de folhas largas. Lia atentamente essas tiras, que já davam a seu embrião de obra esse caráter impessoal que o manuscrito não tem, e aplicava àquele esboço a alta faculdade crítica que possuía, com se se tratasse da obra de outro. Assim operava sobre alguma coisa; aprovando ou desaprovando a si mesmo, mantinha ou corrigia, mas principalmente acrescentava. Linhas que partiam do começo, do meio ou do fim das frases dirigiam-se às margens, à direita, à esquerda, no alto, embaixo, conduzindo a desenvolvimentos, a intercalações, a incisos, a epítetos, a advérbios. Ao cabo de algumas horas de trabalho dir-se-ia um ramo de um fogo de artifício desenhado por uma criança.”

René Benjamim, por seu lado, compara a prova corrigida por Balzac a uma “teia de aranha humana, irregular, tecendo em todas as direções, segundo os golpes do gênio, que formava uma rede inextricável em que a mosca-tipógrafo devia morrer de esgotamento”.

Por infelicidade de Balzac, ainda não fora inventada a máquina de escrever, que, sem esta necessidade permanente de recorrer à custosa colaboração da tipografia, teria dado aos trechos corrigidos o ‘caráter impessoal’ de que fala Gautier. “De Pierette houve treze provas sucessivas; quer isto dizer que foi feita treze vezes; de César Birotteau, dezessete” – relata ele mesmo. E esse trabalho recomeçava antes de cada reedição, nunca igual à edição precedente.

[...] Também, Balzac era o terror dos tipógrafos e dos editores; dos primeiros, por estarem as suas inúmeras correções escritas em letra miúda e confusa, quase ilegíveis; dos segundos, porque as recomposições contínuas aumentavam extremamente o custo dos livros. Nessas condições , cada obra impressa de Balzac representa verdadeiro milagre, soma dos esforços sobre-humanos do escritor e do operário.

RONAI, Paulo. A vida de Balzac. In: BALZAC, Honoré de. A comédia humana. Porto Alegre: Globo, 1959. In: ARAÚJO, Emanuel . A construção do livro. São Paulo: Lexikon, UNESP, 2008.

25 de maio de 2012

O revisor de textos e o autor



Texto de Artur da Távola:

Meus artigos de anteontem e ontem vieram de telex, enviados da Bahia. No de Gal Costa, [...] para não repetir a palavra Gal, Gal, Gal, fui colocando assim: “a prima de Marina”, “a sobrinha de Tia Vivi” etc. Tudo bem, tudo certo, são seres reais, da família da cantora, pessoas adoráveis a quem quis homenagear. Mas eis que ao me referir a uma figura formidável, a da mãe da cantora, eu coloquei a “filha da Mariá”. Mariá, com acento agudo no a final, pois assim é chamada a doce mãe de Gal.

Mas um texto que vem por telex passa por vários operadores: o do dito telex, o do copidesque, o de quem compõe a matéria, e nessas andanças todas, o acentozinho de Mariá caiu. Gal saiu como “filha de Maria”, tradicional organização católica cheia de méritos, mas à qual propriamente a cantora não pertence. O mais divertido, porém, é que o “filha de Maria” saiu numa frase em que eu falava da sensualidade da cantora. Deu um melê completo. A frase saiu assim: “Nessas declarações ela, filha de Maria, fala com o corpo uma linguagem não verbal, capaz dos mais excitantes discursos silenciosos da música popular brasileira”.

E depois de chamar a Gal de “filha de Maria” excitante, pior, mesmo, foi, ainda nesse artigo, sair grafado “catar-se em vez de “catarse”. Ora se eu ia dizer que a Elis Regina fica no palco a “catar-se”...

O Globo. 12.03.1981. In: ARAÚJO, Emanuel . A construção do livro. São Paulo: Lexikon, UNESP, 2008, p. 365.

26 de abril de 2012

Revisor tipográfico, revisor de provas... o revisor de textos


Nova Escola
Antigamente, confundiam-se as tarefas do revisor tipográfico, do preparador de originais e do filólogo, o que praticamente perdurou até a Revolução Industrial, quando, na Europa, passaram a distinguir-se as várias tarefas. Na primeira metade do século XVI, por exemplo, um célebre impressor fazia pendurar as provas pelas ruas próximas à gráfica e à universidade, oferecendo recompensa a quem descobrisse um erro.

A profissão “revisor”, tal como hoje a entendemos, i. e., revisor tipográfico, sem compromisso com o conteúdo do texto, consolidou-se apenas no século XIX, sobretudo com a multiplicação de periódicos (revistas, tabloides, almanaques etc.), a demanda dos jornais diários e a volumosa programação anual das editoras, que então iniciavam séries e séries de consumo popular.

Na realidade, toda uma gama de significados (e operações) envolve a palavra “revisão”, mas ela sempre implica uma retomada do trabalho, quer para acréscimo, corte, remanejamento, reforma etc. de conteúdo, quer para a realização de emendas na reprodução tipográfica desse trabalho e em conformidade com o disposto nele. O que se entende hoje por “revisão”, numa editora, é a pura e simples revisão tipográfica ou revisão de provas (a revisão do original, sua normalização ortográfica e tipográfica correm por conta do editor de texto), tarefa aliás deveras importante, apesar de mal paga e, por isso, muitas vezes deixada, pelo menos nas condições do Brasil, ao cargo de recém-formados ou até de estagiários dos cursos universitários destinados a produzir jornalistas. Ora, tecnicamente a revisão consiste no acurado cotejo do original com as provas compostas, ainda sem paginar ou já paginadas.

Erros ortográficos e gramaticais, linhas fora do lugar, salto de palavras ou trechos inteiros, letras defeituosas, alterações involuntárias de fonte e estilo, defeitos no entrelinhamento ou na mancha são algumas das preocupações que o revisor de provas deve ter em seu trabalho. As revisões gráficas são feitas quantas vezes forem necessárias, usando-se sinais convencionais universais, que são escritos nas margens das folhas.

Por sua própria função, constitui rematada tolice subestimar o revisor. Dele se exige algo mais que simples alfabetização (muitos jornais e editoras parecem contentar-se com isso); na realidade, requer-se um bom conhecimento normativo da língua, extrema capacidade de concentração, perícia suficiente para distinguir as principais famílias e fontes de tipos, perfeito domínio da maior quantidade possível dos signos com os quais assinala, nas provas, aquilo que discrepa do original, além de razoável cultura geral para não cometer, ele mesmo, determinados erros (por exemplo, mandar substituir “mercedários” por “mercenários”; românico” por “romântico” e assim por diante).

Dadas as subcondições de trabalho destinadas no Brasil ao revisor, sejamos justos: ele convive com seu eterno fantasma, o erro, faz o que pode e quase sempre fá-lo bem.

ARAÚJO, Emanuel. A construção do livro. São Paulo: Lexikon, UNESP, 2008, pp. 363-364. Adaptado por Marcia Moreira.

19 de abril de 2012

Sobre gramáticos e revisores


Os gramáticos são entidades dotadas de um grande poder. Eles têm o poder para baixar leis sobre como as palavras devem ser escritas e sobre como elas devem ser ajuntadas. Seu poder vai ao ponto de poderem estabelecer que uma certa palavra existe ou que tal palavra não existe. Quando a dita palavra aparece num texto, eles a desrealizam por meio de uma palavra latina, "deleatur", afirmando que se trata de um simples fantasma. Foi o que aconteceu com a palavra "estória". Atreva-se a escrevê-la! Os "revisores", policiais da língua que cumprem as ordens dos gramáticos, logo a transformam em "história", assumindo que o escritor a escreveu por ignorar que ela foi a óbito.

Os revisores são seres obedientes: cumprem e fazem cumprir as leis ditadas pelos gramáticos. Saramago descreve a sua condição como seres "atados de pés e mãos por um conjunto de proibições mais severas que um código penal". Olhos de falcão, têm de estar atentos aos mínimos detalhes. Sua concentração nos detalhes é de tal ordem que, por vezes, o sentido do texto, aquilo que o escritor está dizendo, lhes escapa.

Aconteceu comigo. Escrevi um livro -"O poeta, o Guerreiro, o Profeta". O argumento se construía precisamente sobre a diferença entre "estória" e "história". Num capítulo era "estória". No outro, era "história". Se ele, o revisor, tivesse prestado atenção naquilo que eu estava dizendo, ele teria notado que o aparecimento alternativo de "estória" e "história" não podia ser acidental. Mas ele, obediente às leis dos gramáticos, transformou todos os "estórias" em "história", tornando o meu livro gramaticalmente correto e literariamente "nonsense".

Noutra ocasião, o revisor enquadrou na reforma ortográfica uma fala do Riobaldo, que eu citava. Ficou divertido ler Riobaldo, jagunço de muitas mortes, contando seus casos com fala de professora primária.

Saramago tem medo dos revisores. Não permite que eles metam o bedelho nos seus livros para enquadrá-los às regras da gramática. Desprezando vírgulas e pontos ele vai em frente consciente de que seus leitores são suficientemente inteligentes para colocar as vírgulas e os pontos nos lugares em que sua respiração e o sentido determinarem.

Mas o escritor português sabe que os revisores são pessoas que sofrem. Deve ser terrível viver o tempo todo sob a tirania das leis dos gramáticos e sob a tirania do texto do autor a que eles têm de se submeter, sem dar sua contribuição pessoal. Afinal de contas o revisor não gosta de ser revisor. Ele queria mesmo era ser escritor.

Compadecido do sofrimento dos revisores, Saramago escreveu o livro "História do Cerco de Lisboa". Pois nesse caso o revisor do dito livro que, se não me engano, se chamava Raimundo Silva, se rebelou contra o seu destino e resolveu fazer história. No lugar onde o autor escrevera que os portugueses foram ajudados pelos cruzados, Raimundo Silva inseriu um "não" entre os "portugueses" e o "foram", e texto ficou "e os portugueses não foram ajudados pelos cruzados...".

Assim, contrariamente ao que já disse, fico a pensar que talvez o poder dos revisores seja maior que o poder de uma única palavra, eles podem mudar o mundo ou arruinar um livro...

Rubem Alves

16 de setembro de 2011

O comércio dos livros e o surgimento de novas profissões relacionadas antes de Cristo (a.C.)



Os livros e seu comércio só começaram a desenvolver-se no século IV a.C., mesmo se considerarmos a atividade isolada de Antímaco de Colofão (c. 445 a.C. - ?), que antecipou em cerca de cem anos a dos alexandrinos ao organizar uma edição de Homero. De fato, é Isócrates (436 – 338 a.C.) quem figura como o primeiro autor conhecido a escrever mais para ser lido do que recitado. Com o aumento do mercado leitor surgiram profissões estritamente associadas ao livro: o copista (bibliógraphos), o especialista em pintar letras capitais (kalligráphos) e o livreiro (bibliopóles).

A ampla divulgação de textos chegou a propiciar a organização de algumas bibliotecas particulares. Entretanto, nada disso evitava uma editoração extremamente defeituosa, o que se dava pela ausência de textos normalizados, levando os copistas à adoção de critérios arbitrários – e danosos – no concernente a pontuação, transcrição, divisão de palavras etc. Em suma, um texto original jamais combinava com suas cópias precisamente pela multiplicação de variantes introduzidas de maneira involuntária, por falta de normas que guiassem o trabalho dos copistas de modo a uniformizar os textos segundo um padrão considerado ideal ou correto. Os problemas criados nesse sentido chegaram a tal ponto que Licurgo (c. 390 – c. 325 a.C.) ordenou o depósito de arquivos do Estado de ‘cópias públicas’, i.e., cópias definitivas, dos textos de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, os três maiores trágicos da Grécia.
Fonte: A construção do livro: princípios da técnica de editoração.

18 de agosto de 2011

Iniciais maiúsculas: como eram antigamente




A questão do emprego das maiúsculas jamais deixou de atormentar os preparadores de originais de língua portuguesa. E o problema não é novo. Ele aparece, a bem dizer, com o próprio desenvolvimento da escrita e seus desdobramentos (e dificuldades). Vale a pena assinalar que pelo menos há mais de quatro mil anos os egípcios sentiram a necessidade de utilizar o que hoje chamamos de destaque ou efeito de realce. Tal se dava, então, de três modos diferentes:

1) Grande número de sinais (cerca de duzentos, corretamente em torno de oitenta) não era lido, mas servia para distinguir palavras homófonas e nomes próprios, chamando a atenção para um vocábulo importante na frase. Os egiptólogos denominaram esses sinais de ‘determinativos’.

2) Os nomes reais eram envolvidos em um círculo oval – os cartuchos -, o que indicava, além da reverência ao faraó-divindade, uma distinção, ainda que restrita, entre nomes próprios e comuns.

3) Finalmente, estabeleceram um princípio de normalização que durou até os primeiros tempos da imprensa (...): o uso de rubricas, i.e., empregava-se tinta vermelha para obter o efeito de realce, por exemplo, em datas, medidas de peso e, sobretudo, em textos literários, nas aberturas de seções e em determinadas palavras iniciais.

Fonte: A construção do livro, 2008, p. 78.

8 de julho de 2011

A experiência "grafemática" em revisão de textos de Guimarães Rosa por Antônio Houaiss



Eu vi o que foi a proeza de editar Guimarães Rosa: desde Sagarana, e daí para diante cada vez mais obsessivametne, os textos eram respeitados passivamente pelo impressor tal como estavam. O revisor timidadente perguntava a ele, às vezes, se esss Z era assim mesmo (porque ele trocava S por Z) ou se esse J por G deveria permanecer. Geralmente, ele dava um sorrisinho e dizia: "Pode corrigir".

No plano estritamete ortográfico dessas celebérrimas heterografias homofônicas - isto é, o mesmo som escrito com letras diferentes - em geral Gumarães Rosa concordava com as correções, porque não era bom ortógrafo. Mas, de repente, arrrepiava-se com uma palavra que, pela norma, não devia ter acento nenhum, mas a ele parecia que sim. Achava que aquele acento estava com função não apenas indicativa do timbre que a vogal devia ter. Achava até que o cinrcunflexo, o acento agudo, ou o acento grave entravam nbo ritmo visual da linha do próprio texto. Para ele foi uma grande revelação o dia em que lhe disse: você está com muitas preocupações grafemáticas. Gostou da palavra, sentiu que era exatamente isso: tinha uma vivência grafemática das palavras.
Fonte: A construção do livro, 2008, p. 61.

28 de março de 2011

Quem mexeu no meu texto?! Parabéns aos meus caros colegas, revisores de textos!


Vocês sabiam que revisor de textos também tem uma data comemorativa. Pois é, hoje, 28 de março, é o nosso dia! Passado mais um ano de árduo trabalho de ler, de reler e de reler, finalmente chegou mais um Dia do Revisor.

Foi durante a faculdade de Letras que começou a nascer a semente do meu sonho em me tornar uma revisora de textos, pois, lá, descobri que gosto de corrigir textos e também de estudar profundamente a língua portuguesa.

No Brasil, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, até 2007, contávamos com mais de 8.000 profissionais na área de revisor de textos, segundo o levantamento da Relação Anual de Informações Sociais da Pasta (Rais).

Não sei se este número é pequeno ou não, mas acredito que ele está bem distribuído em todo o terrítório nacional. Então, parabéns aos mais de 8.000 profissionais revisores de textos espalhados pelo Brasil. Para comemorar, nada melhor que um texto que descreve bem o nosso trabalho, redigido pelo escritor Gabriel Perissé.

Quem mexeu no meu texto?!



“Tal como o goleiro no futebol, o revisor, na editora, é aquele que evita o pior (o gol adversário, o erro de digitação, a escorregada gramatical, a incoerência que ninguém percebeu etc.).

No entanto, é também o revisor quem mais sofre com as derrotas de um texto. Ele é o último homem (ou a última mulher) a ler o livro antes da fase de impressão gráfica, quando não há retorno…

Monteiro Lobato dizia que a tarefa do revisor era das mais ingratas. Que o erro ou a falha se escondiam durante o processo de confecção do livro para, depois de tudo pronto, aparecer na primeira página aberta, como um saci danado, pulando, debochando do revisor.

O revisor é um caçador de distrações. Uma de suas maiores alegrias (em que há uma pitada de vaidade) é encontrar deslizes do autor, perceber as gralhas que ninguém viu antes, corrigir detalhes que iam passar despercebidos.

O revisor revisa com amor.

O revisor sai de manhã, caneta em punho, em busca de verbos mal conjugados e vírgulas fugitivas.

O revisor revisa com dor.

O revisor chega em casa, à noite, com o coração cheio de parágrafos amputados e tópicos frasais remendados.

O revisor revisa com ardor.

O revisor enfrenta moinhos de vento que de fato moem o vento de palavras que o vento não leva.

Madrugadas insones, manhãs e tardes quentes, noites chuvosas, o revisor vai pulando as linhas e entrelinhas do texto em busca das ciladas armadas sabe Deus por quem.

O revisor entrega o seu trabalho bem suado e abençoado. Recebe as moedas de prata que são, na verdade, moedas de ouro. Recolhe seus instrumentos de caça, enxuga o rosto, sorri. Sabendo que o autor poderá reclamar de suas intervenções, que poderá referir-se ao revisor, gritando: quem mexeu no meu texto?!

O mérito da frase perfeita é do autor.

O crime do erro cometido será do revisor.

O revisor, porém, não se considera um injustiçado. O revisor vitimista abandonou a profissão no primeiro dia. O verdadeiro revisor, como o goleiro no futebol, sabe que nasceu para ficar ali, na pior posição de todas, para agarrar centenas de bolas difíceis e, talvez, deixar passar a mais fácil de todas.

Oços do ofíssio.”

9 de março de 2011

O revisor de textos




“O revisor se define não por seus conhecimentos, mas por seu perfil psíquico. A revisão é mais que uma profissão: uma neurose. Esta neurose se caracteriza como uma espécie de sacrifício consentido (desejado) pelo revisor; é um tributo à saúde (qualidade) da edição. O revisor se oferece, sempre, em sacrifício à Deusa do Idioma Francês, portanto, todos aqueles que se dedicam a esse ofício nunca serão normais. (...) Para o revisor, o importante não é o que ele sabe, mas o que ele está consciente de não saber ou, pelo menos, não saber totalmente, e que por isso exige permanente verificação. (...) O revisor não lê como todos os demais homens leem, ele fotografa a palavra visualmente. (...) O exercício da profissão do revisor pode ser descrito, perfeitamente, como uma ‘leitura angustiada’. O seu trabalho é, justamente, evitar que todos os outros seres humanos necessitem fazer essa leitura angustiante.”

BRISSAUD, Sophie. La lecture angoissée ou la mort Du correcteur. Tradução de Sandra Baldessin.

Fonte: A revisão de textos

28 de fevereiro de 2011

A capa



A capa, em sentido amplo, é o revestimento externo (flexível ou rígido) de proteção do miolo do livro e pode apresentar ainda os seguintes elementos:

Capa ou primeira capa - Em sentido restrito, capa é a parte frontal do revestimento.

Segunda capa - É a face interna da capa (primeira), onde, geralmente, nada se imprime.

Lombada - O dorso (da capa ou sobrecapa) onde constam ao menos o título da obra e o nome do autor. O logotipo da editora e o número do volume ou da coleção ou série podem também figurar. Quando os tipos (as letras) forem impressos na vertical, o que depende também da espessura do livro, terão o sentido de leitura de baixo para cima.

Terceira capa - É a face interna da quarta capa, onde geralmente nada se imprime.

Quarta capa ou contracapa - A parte posterior do revestimento constitui a quarta capa, onde, além dos dados mencionados a seguir, imprime-se o registro do ISBN (International Standard Book Number).

Orelha - Cada uma das abas (da capa ou da contracapa) dobradas para dentro chama-se orelha. As orelhas não comparecem obrigatoriamente em todo o livro, mas, quando existem, podem formar com a quarta capa umconjunto em que se dá continuidade ao grafismo da capa. Nas orelhas e quarta capa podem distribuir-se informações sobre o livro e/ou o autor ou ainda publicidade de outros livros, coleções etc., da editora.
Fonte: O livro: manual de preparação e revisão

As provas e as etapas de revisão



Cada etapa de revisão relaciona-se a um tipo específico de prova. Em princípio, tiram-se tantas provas quantas forem necessárias à limpeza total de erros, mas, basicamente, a rotina de revisão é a seguinte:

1) Confronto do original com as provas - Desempanhado por dois revisores, conforme menciona-se atrás, este trabalho é feito nas provas iniciais de composição (primeira prova) e na arte final. O cotejo da arte final com o original justifica-se por se nessa etapa que se fazem montagens ou inserções de novos elementos, não existentesna primeira prova.

2) Releitura individual - Concluído o confronto do original com as provas, um terceiro revisor faz uma releitura de todas as provas, recorrendo ao original apena para verificações. Na arte final, esta releitura é de suma importância: tratando-se da última revisão completa, o revisor procede a uma conferência técnica da montagem, das remissivas a outras partes do livro e, enfim, de tudo aquilo que deve comparecer no livro impresso.

3) Revisão decalcada - Este tipo de revisão consiste na conferência da correção das emendas pedidas em prova anterior, seguida de um decalque. Pelo decalque, o revisor coloca a nova prova sobre a anterior, ajustando-a de modo a fazer corresponder as linhas de uma prova com as da outra. A seguir, com uma das mãos, ele levanta e abaixa, em cada linha, a prova superposta e vai acompanhando as alterações havidas. Após a conferência de emendas e o decalque das provas, se for o caso, faz-se outra releitura, nos moldes descritos acima.

Quando as linhas de uma nova prova não corresponderem com as linhas da prova anterior, será mais seguro faer um cotejo palavra por palavra. Isso deve ser feito, por exemplo, quando uma prova for paginada a partir de uma prova de microcomputador, que, normalmente, apresenta outros tipos gráficos, sem alinhamentos.

Fonte: O livro: manual de preparação e revisão

25 de fevereiro de 2011

Para um revisor...

Renoir. A leitura, 1889.
"(...) é indispensável que os revisores sejam donos não só de uma cultura vasta quanto variada, como igualmente de bastante tirocínio (aprendizado) profissional e gosto literário; que não se limitem apenas a corrigir descuidos ortográficos e tipográficos, mas falhas de memória, citações defeituosas, os lapsos da escrita e a pontuação inexata; numa palavra: os erros de toda espécie que escapam aos autores; que possam, enfim, desobrigar-se perfeitamente das suas funções, legitimando as justas e elogiosas referências que sempre mereceram dos mais célebres escritores e gráficos de todos os tempos, entre os quais Firmin Didot, o criador dos caracteres do mesmo nome, e Victor Hugo, para quem eram modestos sábios, tão hábeis em polir as penas do gênio."

Francisco Wlasek Filho. Técnicas de preparação de originais e revisão de provas tipográficas.

24 de fevereiro de 2011

Ofício





Ver. Rever. Desver.
Rever o visto, desrever.
E novamente rever.

Longe, o tradutor
Mais longe ainda, um tradutor
Depois, o revisor
E o linotipista
E o revisor do revisor

Serão palimpsestos?
Serão alfarrábios, escritas cuneiformes,
Hieroglifos - ou apenas grifos?
Grifos ou negritos?
Itálicos ou redondo?
Tipo 33 ou 36?

O revisor vê. Revê.
Tudo visto e revisto
Ainda relê
E finalmente deslê.


Dante Moreira Leite

23 de setembro de 2010

Recall de Livros – a maturidade do mercado editorial

“Recall de Livro – Atenção Senhores Leitores – Gostaríamos de comunicar que estamos realizando recall do livro… devido a falhas de narrativa. O autor reviu a história e concluiu que da pagina 178 em diante existem dois assassinatos, quatro declarações de amor, duas cenas de sexo e uma condenação judicial que depõem contra a grandeza do romance. Solicitamos a todos que entrem em contato com a editora e troquem a mercadoria. Informamos também que na nova narrativa, a protagonista não mais se suicida, abandona sua casa em Nova York e decide abrir um salão de beleza para gatos siameses na Mongólia. Eventuais prejuízos com a aquisição do livro serão ressarcidos pela Editora. Pedimos desculpas pela nossa falha e pela incompetência do autor. Obrigado. PS.: Informamos também que o autor passa bem, depois da sua quarta tentativa de suicídio."
Embora o texto acima seja pura ficção, não será espanto se esse tipo de situação vier a ocorrer um dia. A quantidade de recalls (chamada para realização de trocas) que ocorre hoje em vários tipos de indústrias nos faz pensar que em breve podemos ver essa comunicação estampada nos jornais, claro que sem o humor nonsense proposto acima. Casos de recall de livros ainda são raros, mas já existem, por inúmeros motivos, sendo mais comuns as falhas do objeto-físico-livro que podem colocar os usuários em risco (principalmente as crianças). Mas este ano, a Oxmoor House (editora norte-americana com mais de trinta anos de existência) comunicou o recall de quase um milhão de livros (nove títulos) por causa dos erros que poderiam levar o famoso “faça-você-mesmo” ser arriscado, induzindo os leitores a cometer erros durante a instalação ou reparação de fiação elétrica. Os diagramas técnicos expostos nos livros poderiam levar os leitores a passarem por situações de risco de incêndio ou choque elétrico. Até a data da publicação do recall (janeiro), a CPSC – Consumer Product Safety Commission (órgão encarregado de proteger o público de riscos excessivos) informou que não existiam casos de incidentes reportados. Ponto para a editora, que se antecipou ao problema, e ponto para a CPSC, que acompanhou e legitimou o processo.

Normalmente um recall, em qualquer área, ocorre para que riscos sejam evitados, principalmente os riscos morais (que normalmente envolve a credibilidade da empresa, ou do autor) e os riscos judiciais (indenizações). As áreas de marketing sempre estão atentas também ao que chamam de Marketing Viral, ou seja, um erro, ou a possibilidade de que ele ocorra, pode passar adiante uma mensagem (consumidor a consumidor) “contaminando” uma massa de usuários, causando com isso estragos de credibilidade que podem “danificar” a marca. Para evitar que isso ocorra, as empresas estão atentas, realizando recall de produtos quando sentem que o prejuízo posterior pode ser muito maior do que a troca do mesmo. Com a Internet o conceito cresceu, se potencializou e chegou até a indústria editorial com mais densidade.

Em 2008, a editora Companhia das Letras anunciou um recall do livro O Fazedor, de Jorge Luis Borges, quando percebeu que havia 12 erros de grafia em poemas publicados em espanhol (a edição trazia também a tradução dos textos em português). Foi a primeira vez que a editora fez um recall. Pelo número de erros poderia ter optado por colocar uma “errata” (adesivo inserido no livro), comum no mercado editorial, mas segundo informou o editor Luiz Schwarcz à Folha de São Paulo na época (Folha Ilustrada – 30/06/2008), mesmo sendo o custo do recall mais elevado, a editora não queria deixar que essa edição contivesse qualquer errata. Este mês, a Editora Planeta anunciou um recall do livro A Princesa de Gelo, da autora sueca Camila Läckberg, por identificar erros de revisão, sendo que a nova edição deverá chegar ao mercado nos próximos meses. No comunicado oficial a editora pediu desculpas e reconheceu o erro de revisão. Em 2006, outra editora norte-americana, a Little, Brown Book Group, retirou das livrarias dos EUA o livro How Opal Mehta Got Kissed, Got Wild and Got a Life, depois que a autora do romance, Kaavya Viswanathan, confessou ter passagens no livro que foram totalmente copiadas de outra escritora (Megan McCafferty). Um excelente exemplo para mostrar que os autores não estão acima do bem e do mal, e que as editoras estão atentas as inconsistências de conteúdo, principalmente no que se refere a direitos autorais.

O recall de livros não só chegou como deve ser ampliado ainda mais com as facilidades dos livros digitais, o que mostra maturidade e responsabilidade do mercado editorial. Erros, imperfeições, deslizes e equívocos ocorrem em todas as áreas da natureza humana, eu mesma posso o estar cometendo aqui, agora, escrevendo este post. Mas tenho orgulho de fazer parte da cadeia de produção editorial, que lida com conteúdo, opinião e cultura. O crescimento desse mercado acontece também porque seus líderes estão cada vez mais cientes da enorme importância que tem a ética nos negócios culturais.

Fonte: Blog da Cultura