16 de setembro de 2011

O comércio dos livros e o surgimento de novas profissões relacionadas antes de Cristo (a.C.)



Os livros e seu comércio só começaram a desenvolver-se no século IV a.C., mesmo se considerarmos a atividade isolada de Antímaco de Colofão (c. 445 a.C. - ?), que antecipou em cerca de cem anos a dos alexandrinos ao organizar uma edição de Homero. De fato, é Isócrates (436 – 338 a.C.) quem figura como o primeiro autor conhecido a escrever mais para ser lido do que recitado. Com o aumento do mercado leitor surgiram profissões estritamente associadas ao livro: o copista (bibliógraphos), o especialista em pintar letras capitais (kalligráphos) e o livreiro (bibliopóles).

A ampla divulgação de textos chegou a propiciar a organização de algumas bibliotecas particulares. Entretanto, nada disso evitava uma editoração extremamente defeituosa, o que se dava pela ausência de textos normalizados, levando os copistas à adoção de critérios arbitrários – e danosos – no concernente a pontuação, transcrição, divisão de palavras etc. Em suma, um texto original jamais combinava com suas cópias precisamente pela multiplicação de variantes introduzidas de maneira involuntária, por falta de normas que guiassem o trabalho dos copistas de modo a uniformizar os textos segundo um padrão considerado ideal ou correto. Os problemas criados nesse sentido chegaram a tal ponto que Licurgo (c. 390 – c. 325 a.C.) ordenou o depósito de arquivos do Estado de ‘cópias públicas’, i.e., cópias definitivas, dos textos de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, os três maiores trágicos da Grécia.
Fonte: A construção do livro: princípios da técnica de editoração.

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