1 de março de 2010

O trabalho com o texto

Publicar um texto, ou uma obra, ou melhor, um autor, é trabalho que traz incontornáveis questões de edição.

O esforço editorial passa normalmente por problemas técnicos que vão desde a apresentação dos originais até sua saída da gráfica e posterior distribuição, divulgação e venda. Porém, é o trabalho com o texto, a preparação para edição, que se considera o mais intrigante, visto que qualquer descuido leva que a edição não foi estabelecida de modo rigorosamente confiável. Que fazer com uma correção gramatical que incide sobre o estilo do autor? Até que ponto o editor de texto estará isento para determinar esta ou aquela correção, esta ou aquela edição? Que limites se impõem a uma manipulação de texto? E aqui manipulação ganha várias tonalidades, desde um interesse oportunista, que recorta um texto visando a um público cujos valores há por bem manter; um desejo do editor de ser fiel à sua própria interpretação, seja esta baseada em um gosto ou preconceito (ou mau gosto) estético; uma distração ou um descuido dos revisores; até procedimentos e soluções formais ingênuos.


O esforço de aplicação de Normas, que representam um passo importante de codificação e de normalização, tem no cotidiano da editoração, muitas vezes, esbarrado em problemas que, ora sendo dos próprios originais, ora sendo das diversas pessoas pelas quais passa o texto, dificultam o processo de publicação.

Não se quer dizer com isso que as Normas sejam dispensáveis, não. Elas devem, sim, nortear o trabalho dos editores e revisores, contando, também, o editor e o revisor com seu “olho agudo e mente aberta para reconhecer num átimo as cacografias” e “para ler o mais carunchoso e ilegível dos manuscritos, e lê-lo corretamente – e os autores, como os doutores, possuem notoriamente vezos arbitrários e desarrozoados”.

Fonte: Revisão, o trabalho com o texto

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