Mostrando postagens com marcador Notícias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Notícias. Mostrar todas as postagens

23 de maio de 2013

Senado aprova projeto que regulamenta profissão de revisores de textos em braille

 

 O Senado deu um passo hoje (22) para regulamentar as profissões de transcritores e revisores de textos em braille - sistema de escrita em relevo que permite o acesso de deficientes visuais e auditivos à leitura e à comunicação. Projeto de lei que prevê a medida foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais e agora será remetido à apreciação da Câmara dos Deputados.
 
“Os livros sonoros e a informática são importantes, mas não substituem o sistema braile tradicional, que é um modelo lógico, simples e polivalente, adaptável a todas as línguas e a todas as espécies de grafia”, destacou a relatora Angela Portela (PT-RR).
 
O Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) constatou que havia 45,6 milhões de pessoas com deficiências visual, auditiva, motora e mental – o que representa 23,9% da população.

Para a redatora, a regulamentação dos revisores e transcritores desse tipo de leitura vai estimular a profissionalização. “Em última instância, o conhecimento e a cidadania das pessoas com deficiência visual estão diretamente vinculados aos produtos culturais colocados à disposição com o uso da técnica.”
 
Fonte: Agência Brasil 
 

8 de maio de 2012

Senado quer fazer quiproquó com o acordo ortográfico




Às vésperas de regras vigorarem de forma definitiva, senadores querem revisar acordo que unificou ortografia nos países de língua portuguesa

Em dezembro deste ano, será decretado, definitivamente, o fim do trema. Nenhum qüiproquó, por mais generalizado que seja, será mais aceito com os dois pontos em cima da letra u. Nenhuma idéia, por mais esdrúxula que seja, terá acento agudo na letra e. Vôo e enjôo deixam para trás, de uma vez por todas, seus acentos circunflexos. E o alfabeto passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras "k", "w" e "y".

As regras não são novas. Estão em vigor desde janeiro de 2009, quando o Brasil e todos os países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) - Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - assinaram o acordo ortográfico. Os brasileiros tiveram quatro anos para se adequar às novas regras. Durante esse período, tanto a grafia anterior como a nova foram aceitas oficialmente. Mas a partir de 1º de janeiro de 2013, as regras antigas deixam de ter validade e passa a vigorar, então, a nova ortografia da Língua Portuguesa – cujas normas foram organizadas pela Academia Brasileira de Letras (ABL) na quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

No entanto, a confusão em torno do acordo ortográfico, elaborado para uniformizar a grafia das palavras dos países lusófonos, ou seja, os que têm o português como língua oficial, está longe do fim. E se depender do Senado Federal, o qüiproquó vai continuar. E carregando seu trema por muito mais tempo.

Acusação - Há um mês, os senadores Ana Amélia Lemos (PP-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Cyro Miranda (PSDB-GO) e Paulo Bauer (PSDB-SC) promoveram uma audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado para discutir a revisão da reforma ortográfica. Também participaram do debate os professores Pasquale Cipro Neto e Ernani Pimentel, idealizador do Movimento Acordar Melhor. Ele acusa a ABL de fazer alterações no texto do acordo ortográfico após a assinatura dos países membros da CPLP.

Segundo Pimentel, a Casa de Machado de Assis teria publicado na quinta edição do VOLP normas que não foram acordadas entre os oito países. “A ABL mexeu em vários pontos do acordo sem autorização. O que está sendo implantando é ilegal. O VOLP desrespeita e altera o texto original”, acusa Pimentel.

Autoridade máxima no Brasil quando o assunto é novo acordo ortográfico, o gramático e imortal Evanildo Bechara, afirma, no entanto, que as acusações “não condizem com a verdade”. De acordo com ele, que é autor da Moderna Gramática Portuguesa, a Academia Brasileira de Letras adaptou a quinta edição do VOLP “ao que ficou acertado no texto do acordo”.

“Em 2008, estávamos com a quarta edição do VOLP esgotada. Quando partimos para a quinta edição, estava em plena efervescência a discussão sobre a implantação do novo acordo. Por isso, acreditamos aqui na Academia que havia chegado o momento de implantarmos o acordo na quinta edição do VOLP”, diz.

Audiência Pública - Autora da requisição da audiência pública, a senadora Ana Amélia passou a defender a revisão das novas regras logo depois que foi procurada por Pimentel, em dezembro do ano passado. Foi ela quem sugeriu aos colegas que a Academia Brasileira de Letras fosse convidada para ir ao Senado explicar o novo acordo ortográfico. “Eu, assim como o professor Pimentel, defendo a redução e o aperfeiçoamento do acordo. E também queremos tratar disso de forma diplomática e política”, afirma.

Bechara, responsável pela produção da quinta edição do VOLP, com as novas regras da ortografia, foi de fato convidado a participar da discussão que aconteceu no dia 4 de abril. Mas diz que não pode comparecer à reunião por estar em um congresso fora do país que se estendeu até o dia 17 de abril. Nas palavras de Ana Amélia, no entanto, ao não comparecer à audiência, a ABL “mostrou falta de vontade de debater o assunto".

Bechara disse ao site de VEJA que pediu ao Senado para que a data do encontro fosse adiada, mas que seu pedido não foi atendido. “Logo que fui chamado a compor a mesa, informei ao Senado a impossibilidade de comparecer à reunião. Apresentei duas possibilidades: de a reunião ser transferida para outra data e a outra possibilidade de marcar uma nova reunião para eu prestar esclarecimentos aos senadores”, diz.

Como a data da audiência não foi alterada, assim que voltou ao Brasil, no dia 18 de abril, Bechara enviou uma carta ao Senado colocando-se à disposição dos senadores para ir à Brasília. O gramático pretende apresentar aos parlamentares um histórico do acordo. “Vou mostrar as sem-razões das críticas. Vamos fazer o histórico do acordo, onde e em quais fatos o acordo se baseia”, afirma Bechara.

Até agora, no entanto, o Senado não enviou resposta ao imortal.

Como surgiu o acordo - As regras do novo acordo estão prontas desde 1990, quando o texto foi elaborado e aprovado pelos representantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Naquele ano, o que se pretendeu fazer foi um acordo que unificaria a ortografia em todos os países de língua portuguesa. Até então, Portugal se regia pelo acordo de 1945 e o Brasil, pelo de 1943.

O texto de 1990 tratou apenas das divergências entre os acordos de 1945 e o de 1943. Tudo o que era comum nos dois sistemas não entrou em discussão na redação do novo acordo. “Porque se já era comum, já estava previamente acordado entre os dois países”, justifica Bechara.

“Começaram a dizer que a Academia inovou, que a Academia fugiu do acordo. Mas a pessoa que faz a crítica não entende que o acordo de 1990 é, em 90% dos casos, uma reedição do acordo português de 1945. Por isso, nós brasileiros tivemos que abrir mão de muitos mais fatos do que os portugueses”, afirma o imortal, que ocupa a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras.

De fato, em números, as mudanças para os brasileiros são quase insignificantes: a norma escrita teve 0,43% de suas palavras mudadas. Em Portugal, 1,42%. Até julho de 2004, era preciso que todos os países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) ratificassem as novas normas para que elas entrassem, de fato, em vigor. Mas um acordo feito naquele ano estabeleceu que pelo menos três países ratificassem os termos da proposta, o que ocorreu somente em 2006. O Congresso brasileiro aprovou as mudanças em 1995, seguido de Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro daquele mesmo ano.

De acordo com a Divisão de Promoção da Língua Portuguesa do Itamaraty, dos oito países membros da CPLP, apenas Angola e Moçambique ainda não ratificaram o acordo.

Os próximos passos do Senado - Agora, os senadores se articulam para criar, nos próximos dias, um grupo de trabalho na Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Casa para acompanhar o assunto. A proposta do senador Cristovam Buarque é que o grupo seja misto, formado por senadores e deputados. “Para nós, ficou claro que existiu pressa na implantação do acordo. E precipitação sempre dá errado. Nosso objetivo é melhorar o acordo e não impedir que ele entre em vigor”, afirma.

Um dos objetivos dos parlamentares, de acordo com o senador Paulo Bauer, é realizar uma série de reuniões para que sejam esclarecidas as confusões em torno das novas normas. “Precisamos descobrir se os problemas têm soluções, se podemos fazer mudanças sem ferir o acordo e a nossa língua. Por enquanto, as novas regras estão afrontando a língua”, diz.

Mas, de acordo com a senadora Ana Amélia, o pedido de anulação do acordo não está descartado, já que a partir do próximo ano, nos livros didáticos, vestibulares e concursos públicos as novas normas passam a ser obrigatórias. “Podemos tomar uma posição mais firme em relação ao acordo, como propor o fim do acordo ou pedir o adiamento dele, para que não entre em vigor a partir de janeiro de 2013”.

Derrubar o acordo ortográfico, ressalte-se, seria jogar dinheiro público fora. Antes de decidir se seguirá por caminho tão radical, diz Ana Amélia, o Senado quer acompanhar como está a discussão a respeito do acordo nos outros países. Durante a audiência pública, além do adiamento da implantação do acordo, foi proposta também uma nova reunião internacional, com representantes da Comunidade de Países de Língua Portuguesa para todos os pontos do novo texto sejam rediscutidos.

O desacordo em Portugal - Portugal tem até dezembro de 2014 para concluir o processo de implantação da nova grafia. Mas lá o acordo ortográfico ainda enfrenta muita resistência. Tanto que os alunos portugueses só começaram a aprender as novas regras neste ano - três anos depois de as novas regras terem sido acordadas.

Apesar de se dizer a favor do acordo, o secretário de estado da Cultura do país, o escritor Francisco José Viegas, tem defendido mudanças no texto assinado em 2009. Em recente entrevista, ele afirmou que é preciso promover pequenas alterações pontuais, “sobre o que é pronúncia culta, pronúncia corrente e a sua correspondente ortografia”.

A controvérsia sobre o acordo voltou à tona em Portugal depois que o poeta Vasco Graça Moura, ao assumir, em fevereiro, o cargo de diretor do Centro Cultural de Belém - de uma das mais importantes instituições culturais do país, determinou que fosse suspensa a aplicação do acordo ortográfico nos serviços sob sua tutela. Circula também na internet uma petição para que o parlamento português vote o fim do acordo.

Fonte: Veja online

2 de março de 2012

A lei, a ciência e o bom-senso estão do lado do 'Houaiss'

Acreditar, como faz um procurador federal, que o dicionário dissemina preconceito ao registrar diferentes usos das palavras é tão absurdo quanto achar que, ao explicar o nazismo, livros de história referendam seu horror

De tempos em tempos, alguma autoridade de plantão é vencida pela tentação de tutelar a sociedade. Ela, então, tira do colete uma medida politicamente correta, que, embora nula, não raro descamba para a tentativa de censura. Foi assim em 2010, quando parecer do Conselho Nacional de Educação, órgão do Ministério da Educação, tentou banir das escolas públicas a leitura do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato. Segundo os sábios do MEC, trechos como o seguinte expressariam racismo: "Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão." Nesta segunda-feira, foi a vez do procurador federal Cléber Eustáquio Neves cair em tentação, pedindo à Justiça Federal em Uberlândia (MG) que sejam retirados de circulação as cópias do dicionário Houaiss, um dos mais conceituados do mercado. A razão: no verbete cigano, o livro informa que a palavra pode ganhar também o significado – pejorativo, como bem destaca o próprio dicionário – de "trapaceiro, velhaco, burlador". Para o MPF, ao conter tal explicação, o dicionário ajuda a disseminar o preconceito contra os ciganos e a intolerância étnica, que afrontam a Constituição. É um raciocínio tão absurdo quanto achar que, ao explicar o que foi o nazismo, os livros de história referendam seu horror.

O pedido do procurador é, em todos os sentidos, descabido, concordam juristas, dicionaristas e o bom-senso. É, por exemplo, a opinião de Ophir Cavalcanti, presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB): "A alegação me soa exagerada. Não vejo amparo legal nessa questão", diz. "Abolir determinadas significações do dicionário é uma tentativa de cercear a liberdade intelectual, é privar a sociedade de conhecer a própria língua." O Instituto Antonio Houaiss, responsável pela edição do dicionário (publicado pela editora Objetiva), ainda guarda em segredo quais medidas irá adotar. Espera-se que reaja, que busque a Justiça.

A perplexidade dos dicionaristas – os especialistas que constróem essas obras monumentais – é semelhante. "Os dicionários registram as acepções das palavras, pareçam elas positivas ou negativas, pois esses são os valores que os falantes da língua atribuem a elas. E esses significados precisam estar documentados nos dicionários: esta é a função deles", diz a dicionarista Maria Helena de Moura Neves, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

É exatamente essa função que o Houaiss cumpre ao registrar o uso pejorativo que pode ser dado ao termo cigano. De acordo com o livro, data de 1899 o uso da palavra para qualificar "aquele que trapaceia, velhaco, burlador". Ainda hoje, pode-se encontrar o mesmo emprego. Então, a dicionarista, lança uma pergunta retórica cuja resposta é demolidora para o pleito do MPF: "Se nos empenhássemos em registrar apenas as acepções positivas, teríamos um dicionário cor de rosa. Isso tornaria a sociedade menos preconceituosa ou injusta?" É quase desnecessário responder: não.

O procurador Cléber Eustáquio Neves poder perder sua batalha contra o Houaiss – a vitória da lei, da ciência e do bom-senso é o que se espera da Justiça, que ainda não tem data para julgar o caso. Mas o procurador já fez vítimas. Instada pelo MPF, a editora Melhoramentos já suprimiu das páginas de seu dicionário a acepção pejorativa do verbete cigano. "Fomos informados por meio da Justiça de que havia pessoas ofendidas com alguns dos nossos verbetes", diz Breno Lermer, superintendente da Melhoramentos. "Avaliamos que algumas definições pejorativas relativas a cigano eram antigas e já não correspondiam à realidade. Acabaram suprimidas."

A decisão abre precedente. Se surgirem mais reclamações, é possível que mais acepções sejam retiradas do dicionário? Sim, confirma Lermer. "Se entendermos que eles já não encontram correspondência com a realidade, serão retirados." Estão, portanto, em risco as definições que informam, por exemplo, que o adjetivo judeu, em sua acepção insultuosa, designa a "pessoa usurária, avarenta", ou que baiano, em situação idêntica, é o "tolo, fanfarrão". São todos usos ofensivos, preconceitusos, não há dúvida. Mas tirá-los das páginas dos dicionários seria um desserviço: melhor deixá-los ali, prestando o precioso serviço de ensinar àqueles que recorrem ao livro que o mundo não é, como lembra Maria Helena de Moura Neves, cor de rosa.

 
As alterações almejadas pelo procurador são, já está claro, equívocos terríveis. "Hoje, a tendência é advogar em prol do politicamente correto. É uma patrulha sem fundamento linguístico", sentencia o dicionarista Francisco Borba, da Unesp. "Dicionários não são instrumentos ideológicos ou políticos. São obras objetivas, que registram a língua. Preconceito comete aquele que faz uso de acepções pejorativas em seu cotidiano, não o dicionário."

Fonte: Veja Online


8 de outubro de 2010

Liu Xiaobo, dissidente chinês, conquista Nobel da Paz 2010


Ganhador do prêmio está preso - foi condenado por criticar governo de Pequim

Encarcerado e silenciado por um governo que não aceita vozes dissidentes, o chinês Liu Xiaobo é o ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2010. De acordo com o anúncio feito nesta sexta-feira pelo Comitê do Nobel, Liu, de 54 anos, foi o escolhido por causa de sua "longa luta não violenta pelos direitos humanos na China". O governo chinês já reagiu ao anúncio, declarando que a escolha de Liu "viola" a integridade do Nobel da Paz. O dissidente foi detido pela primeira vez após os célebres protestos do movimento estudantil na Praça da Paz Celestial, em Pequim, em junho de 1989, violentamente reprimidos pelo governo. Entre 1996 e 1999, foi enviado a um campo de "reeducação pelo trabalho" por defender a reforma política e a libertação dos estudantes que participaram dos protestos de 1989 que permaneciam presos.

Casado e pai de dois filhos, Liu foi preso novamente em 2008 por ter sido um dos 10.000 signatários de uma petição formulada para exigir reformas políticas no regime comunista chinês. Em dezembro de 2009, o dissidente foi condenado a 11 anos de prisão por "subversão", em um julgamento que gerou uma onda de protestos por todo o mundo. "Estou tão feliz, estou tão feliz, não sei o que falar", disse por telefone Liu Xia, mulher do dissidente, que ficou sabendo da premiação através de amigos. "Quero agradecer a todos por apoiar Liu Xiaobo. Quero agradecer ao Comitê Nobel, a Vaclav Havel, ao Dalai Lama e a todos aqueles que defendem Liu Xiaobo", afirmou, referindo-se ao ex-presidente checo e ao líder tibetano, que apoiaram a candidatura do dissidente ao Nobel.

Responsabilidades - "Peço firmemente que o governo chinês o liberte", insistiu Xia, informando que a polícia disse que a levaria no sábado para a província de Liaoning, onde seu marido está preso, para contar a ele sobre o prêmio. Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Nobel, Thorbjoern Jagland, afirmou que a China, segunda maior economia mundial, deveria assumir "mais responsabilidades" devido a seu cada vez mais importante papel no cenário internacional. "Faz muito tempo que o Comitê Nobel da Noruega considera haver um estreito vínculo entre os direitos humanos e a paz", acrescentou. Pouco após a divulgação do prêmio, o ministro francês das Relações Exteriores Bernard Kouchner publicou um comunicado pedindo a libertação de Liu Xiaobo.

A Anistia Internacional (AI), por sua vez, fez um apelo ao governo chinês para que liberte todos os presos políticos. Para Catherine Barber, subdiretora da AI para o Pacífico Asiático, Liu Xiaobo é um "vencedor digno" do Prêmio Nobel. No entanto, a homenagem "só poderá fazer diferença se provocar mais pressão internacional sobre a China para libertar Liu, junto com outros vários presos de consciência que apodrecem nas prisões chinesas por exercer seu direito à liberdade de expressão", disse. Em uma de suas últimas entrevistas, Liu disse ter esperança de assistir à progressiva democratização da China. "Vamos avançar muito lentamente, mas não será fácil conter as demandas de liberdade, tanto das pessoas comuns quanto de membros do Partido Comunista." O prêmio é tradicionalmente entregue em Oslo no dia 10 de dezembro.

Causas urgentes - Com certa frequência, a comissão que escolhe os vencedores do Nobel da Paz decide entregar o prêmio a um personagem pouco conhecido pelas pessoas, mas que simboliza a necessidade de lançar os holofotes sobre um tema importante para a comunidade internacional. Desta forma, acaba apresentando o homenageado ao mundo - e, na esteira disso, colocando em discussão assuntos de grande relevância. Foi assim, por exemplo, em 2003, com Shirin Ebadi, a iraniana que representa a necessidade de plantar a semente dos direitos humanos e dos valores democráticos no Oriente Médio. Foi assim também no ano seguinte, com Wangari Maathai, queniana que simbolizava a causa ambiental e o papel das lideranças femininas no continente africano. A premiação de Liu neste ano se encaixa nessa mesma categoria.

Segunda maior economia do planeta - acaba de superar o Japão e está a caminho de desafiar a liderança dos Estados Unidos -, a China tem ampliado sua influência no resto do mundo. O problema é que, enquanto a economia cresce e se dinamiza, o regime político chinês segue esmagando seus opositores. O desafio de dialogar com os chineses em temas como valores democráticos, liberdade de imprensa e respeito aos direitos humanos é considerado um dos temas-chave para a comunidade internacional nos próximos anos. Assim, a escolha de Liu sinaliza o desejo dos países ocidentais de trazer a China à berlinda e medir suas reações diante da forte pressão para que as vozes contrárias não sejam sufocadas. Poucos acreditam, contudo, que Pequim sequer cogite qualquer mudança - e não será um Nobel que deverá alterar o quadro.

Pouco depois do anúncio da entrega do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente chinês Liu Xiaobo, preso por lutar pela democracia em seu país, o governo da China reagiu com fúria à decisão. Para o porta-voz da do Ministério de Relações Exteriores, Ma Zhaoxu, a escolha de Liu representa "uma obscenidade" e contraria os objetivos da premiação. Em um comunicado divulgado pelo Ministério, Ma ainda diz que a escolha vai prejudicar as relações entre a Noruega e a China.

No texto, a chancelaria chinesa palpitou sobre as escolhas do comitê do Nobel, afirmando que o prêmio deveria ser dado a pessoas que promovam as relações internacionais amistosas e o desarmamento. "Liu Xiaobo é um criminoso que foi sentenciado pelos departamentos judiciais da China por violar a lei", diz o texto. O Ministério diz que laurear Liu "vai na contramão dos princípios do Nobel e também constitui uma blasfêmia ao legado do prêmio".

Anteriormente, o vice-chanceler chinês, Fu Ying, já havia alertado o chefe do instituto norueguês de que, se Liu fosse laureado, as relações entre Oslo e Pequim seriam estremecidas, justamente em um momento no qual é negociado um acordo comercial entre os países.

No mês passado, uma representante do Ministério de Exteriores chinês também já tinha se antecipado à possível premiação, dizendo que as ações de Liu são "diametralmente opostas às procuradas pelo Nobel". Pequim também fez duras críticas ao Nobel quando o Dalai Lama, líder espiritual tibetano, recebeu o prêmio, em 1989.

Fonte: Veja Online

12 de agosto de 2010

21ª Bienal Internacional do Livro acontece a partir de sexta (13)


Evento no Anhembi reúne 200 convidados em 1 100 horas de programação

Durante dez dias, São Paulo será transformada na capital das letras. De sexta (13) ao dia 22, o Pavilhão de Exposições do Anhembi recebe a 21ª Bienal Internacional do Livro. Orçada em 30 milhões de reais, a festa contará com números superlativos: o espaço de 60 000 metros quadrados — o equivalente a sete campos de futebol — será ocupado por 350 expositores. Cerca de 2,2 milhões de exemplares ficarão disponíveis ao público. Além disso, há um calendário recheado de palestras, debates e atrações para jovens e crianças. Participam das mesas de debates 200 convidados, em um total de 1 100 horas de programação. Nada mau para um evento que começou, em 1951, como uma pequena feira na Praça da República e só em 1970 passou a ser chamado de internacional. “Trata-se de uma celebração da cultura”, afirma Eduardo Mendes, diretor executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Uma das intenções dos organizadores neste ano é manter as características tradicionais da Bienal, como a força mercadológica (serão mais de 4 000 lançamentos) e a capacidade de atrair o leitor não especializado. Quatro temas concentram a programação: Monteiro Lobato, Clarice Lispector, lusofonia e livro digital. Para traçar reflexões sobre eles, a CBL montou um conselho de curadores formado por Danilo Santos de Miranda, diretor regional do Sesc São Paulo; Augusto Massi, diretor da Cosac Naify e professor de literatura brasileira da USP; e Hubert Alquéres, diretor-presidente da Imprensa Oficial. Esse trio, por sua vez, convidou curadores específicos para cada um dos espaços. O novelista Walcyr Carrasco, cronista de VEJA SÃO PAULO, por exemplo, ficou responsável pelo Palco Literário. Nele, personalidades do teatro e da TV farão leituras e interpretações de obras que marcaram sua vida. Depois, haverá debates com os visitantes. Constam na seleção nomes como Regina Duarte, Paulo Goulart, Sérgio Marone e Nívea Stelmann. “O grande público vai atrás das estrelas das novelas e é exposto à leitura”, explica Carrasco. “Passa então a entender aquilo como um prazer, algo agradável.”

Paulo Goulart é uma das atrações do Palco Literário, no sábado (14).
Cozinhando com Palavras, sob o comando do jornalista André Boccato, é outra atração. O palco recebe cozinheiros e críticos para abordar temas gastronômicos em debates e workshops. “Comida servida em aviões” é a palestra do chef argentino Chakall, o cozinheiro português Vitor Sobral traz “À mesa com Eça de Queiroz”, e o editor de gastronomia de VEJA SÃO PAULO, Arnaldo Lorençato, conversa sobre o ofício da crítica com outros quatro convidados. O palco Salão de Ideias, organizado pelos jornalistas Manuel da Costa Pinto e Alexandre Agabiti Fernandez, concentra-se de modo mais efetivo na literatura. Logo na abertura, numa sexta-feira 13 de agosto, o cineasta José Mojica Marins fala de seu personagem Zé do Caixão. O restante do dia será dedicado a temas vampirescos, inclusive com a participação do canadense Dacre Stoker, sobrinho-bisneto de Bram Stoker, criador do Drácula. Leitores poderão conferir outras atrações internacionais, a exemplo do norueguês Jostein Gaarder, do filosófico ‘O Mundo de Sofia’, e do irlandês John Boyne, de ‘O Menino do Pijama Listrado’. Autor da biografia ‘Clarice’, o americano Benjamin Moser encontra- se com a atriz Beth Goulart, que acaba de interpretar Clarice Lispector nos palcos. “Clarice foi vista muitas vezes como escritora de elite, mas a popularidade recente demonstra seu apelo para o grande público”, diz Moser. Entre os outros destaques do Salão de Ideias, vale ressaltar a iraniana Azar Nafisi, o bate-papo lusófono entre o moçambicano Mia Couto e o angolano José Eduardo Agualusa e a apresentação do inédito ‘1822’, do jornalista Laurentino Gomes, espécie de continuação do best-seller ‘1808’.

Fábulas com a Turma da Mônica, espaço inspirado no universo do quadrinista Mauricio de Sousa, e ‘O Livro É uma Viagem’, instalação que permite um passeio dentro de um livro enorme, com direito a atores fantasiados de personagens, são os principais chamativos para a criançada. O palco Território Livre tenta ajudar os jovens a escolher uma futura carreira a partir de debates com profissionais de jornalismo, humor e moda, entre outras áreas. A Bienal ainda aponta para o futuro ao emprestar para manuseio cinquenta e-readers e, dessa forma, expor o livro digital aos leitores.

Fonte: Veja São Paulo
  • Se quiserem saber mais sobre as programações especiais da Bienal, cliquem aqui.

11 de agosto de 2010

Falar e escrever bem: rumo à vitória

Este é o título da Veja desta semana, que trata da importância de sabermos falar e escrever bem de acordo com as norma padrão da língua portuguesa.

A revista, primeiramente, apresenta uma comparação dos discursos entre os principais presidenciáveis (Dilma, Serra e Marina), verificando os principais erros cometidos na oralidade deles. Também a mesma matéria apresenta os principais erros que devemos evitar em uma entrevista de emprego ou numa ascensão profissional.

O que percebi é que não surgiram novos erros, são sempre os mesmos como gerundismo, o uso do verbo "haver" como impessoal, do verbo "ser" no presente do subjuntivo dentre outros.

Não é a primeira vez que esta revista semanal fala deste problema. Em novembro de 2001, a Veja também apresentava uma capa com o mesmo título do periódico desta semana (vejam a foto ao lado).

Pretendo escrever postagens sobre estes erros frequentes, explicando, de acordo com a nossa gramática, como podemos falar e escrever corretamente, evitando estes erros frequentes. É só aguardar.

7 de junho de 2010

Professores são agredidos e precisam até de escolta

A Secretaria de Educação de SP não dá números para “preservar as escolas” e anuncia mediadores de conflitos

Professor com medo de aluno. Esse é o clima em escolas públicas da região de Campinas. Um estudo, feito pelo Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, revela que 34% dos professores campineiros já foram agredidos fisicamente por alunos e 58,3% já sofreram agressão verbal. Os casos são tão frequentes que professores e diretores tratam as ocorrências como caso de polícia.

Em Paulínia, no início do ano, uma professora teve de ser escoltada por GMs da escola pra casa, após ter sido ameaçada por alunos. O caso de Paulínia não é isolado. Um professor de matemática de Sumaré, que não quer se identificar, foi ameaçado por um aluno do ensino Médio, em março. Por impedir o estudante de usar o celular na sala, foi empurrado na parede e o aluno avisou que se vingaria.

“Acho que é obrigação da escola registrar BO. Eu fiz porque esse tipo de atitude é coisa de bandidagem”, disse.

Não só professores estão na mira. P.F.D. é inspetora numa escola estadual em Campinas. Em abril, foi ameaçada por um aluno e levou o caso pra polícia. “Essas agressões não vão dar em nada. Mas é crime”, disse. Para a Diretora do sindicato, Suely Fátima de Oliveira, nos últimos meses, a gravidade e a frequência das agressões aumentaram. O sindicato tem um site onde o professor registra casos de violência, mas ela recomenda fazer o BO.

A Secretaria de Educação de SP não dá números para “preservar as escolas” e informa que cada uma terá um professor pra mediar conflitos.

Fonte: UOL

2 de junho de 2010

Geraldo Holanda Cavalcanti tornou-se mais um imortal da ABL

O poeta, tradutor, ensaísta e memorialista Geraldo Holanda Cavalcanti foi eleito na tarde desta quarta-feira (2) o sucessor da cadeira 29 da Academia Brasileira de Letras, a ABL.

O posto era ocupado anteriormente pelo bibliófilo José Mindlin, morto aos 95 anos em fevereiro.

Concorriam ao posto, além de Cavalcanti, o sambista Martinho da Vila, o sociólogo e tradutor Muniz Sodré e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Eros Grau.

Cavalcanti foi diplomata por mais de 40 anos, tendo sido embaixador no México, na Unesco e na União Europeia. Estreou na poesia em 1964, com "O Mandiocal de Verdes Mãos". Em 1998, publicou "Poesia Reunida", pelo qual conquistou o prêmio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores, no ano 2000.

Por seu trabalho como tradutor recebeu, na Itália, em 1998, o Prêmio Internazionale Eugenio Montale. No ano seguinte, recebeu o Prêmio Paulo Rónai de Tradução, da Fundação Biblioteca Nacional, pela antologia bilíngue de Salvatore Quasimodo, e em 2006, o Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras pelo ensaio-literário e tradução de "O Cântico dos Cânticos". Publicou, ainda, traduções de poetas de língua espanhola --o colombiano Álvaro Mútis e o mexicano Carlos Pellicer.

Suas publicações mais recentes são "Encontro em Ouro Preto" (contos, 2007) e "As Desventuras da Graça" (memórias, 2010), ambos pela editora Record.

Fonte: UOL

28 de maio de 2010

MEC cria prova nacional para seleção de professores iniciantes

O MEC (Ministério da Educação) vai realizar a partir de 2011 uma prova nacional para seleção de professores iniciantes, que pode subsidiar concursos públicos estaduais e municipais. A portaria que institui o exame foi publicada nesta segunda-feira do Diário Oficial da União.

A prova - que recebeu o nome de Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente - será feita pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) e vai avaliar conhecimentos, competências e habilidades dos candidatos ao ingresso na docência do ensino básico e fundamental. O sistema de avaliação será semelhante ao do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Com a nota adquirida na prova, o professor poderá ingressar em qualquer rede de ensino que esteja cadastrada no programa. De acordo com texto publicado no Diário Oficial, as Secretarias de Educação interessadas em utilizar os resultados da prova deverão formalizar adesão no Inep. Já a forma de utilização dos resultados será determinada por cada secretaria que aderir.

O Inep já realiza desde a semana passada uma consulta pública sobre o conteúdo que deve ser exigido de um professor que ingressa na educação infantil ou no ensino fundamental. Pessoas e instituições podem participar pelo site do Inep.

"As colaborações devem ser feitas a partir de um sistema que lista 16 temas centrais, cada um com uma série de tópicos relacionados às habilidades a serem demonstradas pelos candidatos a professor", diz informação no site do Inep.

Informações como datas de realização da prova, valor da inscrição ainda não foram definidos e devem ser esclarecidos em nova portaria publicada pelo Inep.

Fonte: Folha Online

5 de maio de 2010

A tecnologia a serviço dos brutos

Um em cada seis estudantes brasileiros do ensino fundamental já foi alvo de bullying no mundo virtual. Isolamento, medo e até depressão são sinais evidentes desse tipo de violência

A falta de ar e a tremedeira incontrolável eram sinais do pânico se apossando da estudante paulista Brenda Mayer, 16 anos, ao se aproximar da escola. Durante três meses seguidos, Brenda foi alvo de humilhações sistemáticas encabeçadas por um grupo de colegas do próprio colégio. O quadro acima é típico do bullying, o nome adotado no Brasil, em inglês mesmo, para descrever um fenômeno infantojuvenil tão torturante quanto antigo. A novidade é que, agora, ele também se dá pela internet. As colegas de Brenda criaram uma comunidade no Orkut com o único objetivo de agredi-la. Em pouco tempo, o site tornou-se ponto de encontro na rede para dezenas de colegas hostis a Brenda. As ameaças, terríveis mesmo para um adulto, eram deixadas no Orkut aos montes: "Se aparecer na escola, vamos quebrar a tua cara!" ou "Te mato". Brenda continuou indo à escola, onde as ameaças e piadas eram repetidas na presença dela. Isolada, sempre em prantos, a estudante emagreceu 4 quilos. Os pais registraram queixa em uma delegacia, mas nada mudou. O inferno de Brenda Mayer só terminou quando ela trocou de escola, mas o estrago feito vai durar muito tempo: "É impossível esquecer o massacre".

O drama de Brenda ocorreu há quatro anos. Desde então o cyberbullying, o assédio covarde organizado por grupos contra uma pessoa e alimentado via internet, cresceu no Brasil. Uma nova pesquisa conduzida com mais de 5 000 alunos do ensino fundamental em todo o Brasil revela dados assustadores sobre o uso da internet para a organização de ataques à honra das pessoas. O levantamento feito pela Plan, uma ONG presente em 66 países, mostra a extensão do problema nas escolas. Pelo menos um em cada seis estudantes disse aos pesquisadores já ter sofrido agressões sistemáticas e organizadas na rede. A maldade dos agressores é potencializada pelo cyberbullying. As comunidades virtuais, os blogs e as correntes de mensagens são áreas de convivência dos adolescentes, locais em que eles se expõem, paqueram e trocam ideias. Ser privado dessa convivência ou, pior, ser alvo de ataques dos próprios colegas ali é devastador. Resume Brenda: "A autoestima desaparece".

Tomadas de vergonha, insegurança e na esperança de os ataques se estiolarem por não darem bola a eles, as vítimas de cyberbullying demoram a pedir ajuda. Mas os sinais do sofrimento aos poucos vão se mostrando. A vítima se atormenta, mas não resiste a querer saber até onde vai a ousadia de seus agressores on-line, o que a leva a passar mais tempo ainda diante do computador. A vida social praticamente deixa de existir. Ir ao colégio se torna um sacrifício, e isso se traduz na perda de desempenho acadêmico. Às dores de cabeça e de barriga seguem-se, em muitos casos, a depressão e a desorientação pela perda de duas das referências mais fortes de um jovem, a escola e a internet. "Passei a ter medo de me relacionar com as pessoas", diz a estudante paulista Gabriela Lins, 17 anos. Ela enfrentou as consequências de ter não uma, mas seis páginas intituladas Eu Odeio a Gabriela criadas no serviço mais popular entre jovens da internet brasileira. Os autores das agressões, como sempre ocorre nesses casos, eram seus conhecidos – colegas de turma na escola, já seus desafetos pessoais. "A relação deles com a internet é visceral, por isso a exposição negativa na rede lhes causa uma dor desmedida", resume a psicóloga Ceres Araujo.

Conflitos entre crianças e adolescentes fazem parte dessa fase da vida em que a afirmação da identidade é crucial. É quando, ainda muito inseguros, os jovens têm enorme dificuldade em lidar com as diferenças. O bullying é justamente a manifestação exacerbada dessa aversão. No grupo das vítimas típicas dessa forma de violência, figuram justamente os novatos na escola, os maus alunos, os tímidos, aqueles com compleição física fora do padrão e, obviamente, os primeiros da classe, alvos preferenciais dos invejosos. A especialista Maria Tereza Maldonado, autora de A Face Oculta – Uma História de Bullying e Cyberbullying, encontrou nas vítimas dessas torturas juvenis um traço comum: a baixa autoestima. Entre os algozes, Maria Tereza distinguiu as características típicas dos abusadores de todos os tempos: o impulso de impor sua liderança pela força. Mais de 10 milhões de jovens brasileiros de todas as idades passam pelo menos duas horas diárias ligados na internet. É tempo demais para muitos pais lidarem com o computador como as gerações passadas o fizeram com a televisão e usá-lo como babá eletrônica. Até os 15 ou 16 anos, a navegação na internet precisa de alguma supervisão paterna na forma de horários rígidos, conselhos ou conversas frequentes sobre o conteúdo e a interatividade na rede. Alguns programas podem monitorar automaticamente a navegação ou limitá-la de acordo com a idade do usuário do computador (veja o quadro abaixo). Para a psicóloga Ceres Araujo, os pais sem interesse na internet ou tecnofóbicos precisam mudar rapidamente de atitude para ser bons educadores: "Ficar alheio ao mundo dos filhos é uma péssima atitude".

A cena do filho chegando em casa da escola coberto de hematomas é clássica na literatura e no cinema. Como os pais reagem a ela também. Os brutos dão outra surra no menino, como lição para nunca mais apanhar na rua. Os sábios aconselham moderação e ensinam o menino a se defender. É raro na ficção – e, curiosamente, também na vida real – ver pais com coragem para ir até a escola com o objetivo de envolver professores e diretores no encaminhamento de uma solução para o problema das agressões físicas, verbais ou digitais. Mais raro ainda são escolas com uma política clara e eficiente para reprimir os agressores. A dentista Vanessa Lins, 39 anos, tentou sem sucesso obter ajuda para a filha. Lembra Vanessa: "Minha filha estava despedaçada, mas a diretora não se sensibilizou. Na visão dela, os ataques feitos via internet não eram problema da escola". Obviamente, essa atitude é covarde e injustificada, pois nenhuma escola deveria abrigar autores de tais agressões. A pedagoga Cleo Fante vê avanços no Brasil: "Já é consenso ver os colégios como agentes relevantes no combate às intimidações on-line. Não há mais como traçar uma fronteira delimitando responsabilidades da família e da escola, quando é evidente o papel harmônico de ambas na proteção dos alunos". O Colégio Bandeirantes, de São Paulo, incluiu na grade uma disciplina com o objetivo de orientar os estudantes sobre as potencialidades e os perigos da rede, tratando também do cyberbullying. A medida foi muito bem recebida pelos pais. "É reconfortante ver a escola empenhada em prevenir essa violência, da qual meu filho já foi vítima", diz a consultora de recursos humanos Priscila Scripmic, mãe de Dimitri, 12 anos.

O norueguês Dan Olweus, pioneiro no estudo do bullying, alertava já na década de 70 para as nefastas consequências dos ataques impunes dos mais fortes contra os mais fracos no ambiente escolar. Olweus constatou a relação de causa e efeito entre a recorrência da violência física e psicológica e os casos de depressão infantil. A intimidação pela internet é apenas a versão do mesmo fenômeno. Ele vem crescendo com ímpeto semelhante ao do espalhamento da rede pelo mundo. O suicídio de uma adolescente americana de 13 anos, vítima de cyberbullying praticado por uma vizinha e sua mãe em 2006, levantou pela primeira vez a questão de como identificar e punir os culpados por esses ataques. O caso da menina americana ainda não obteve solução definitiva na Justiça, mas, como é praxe nos Estados Unidos, deve estabelecer uma jurisprudência orientadora de novos casos. No Brasil não existem leis destinadas a punir especificamente os autores desses crimes. Os casos geralmente são enquadrados no Código Civil como crimes contra a honra, ofensa de natureza semelhante à dos crimes de calúnia e difamação. Nos raros casos julgados no Brasil, as condenações foram apenas pequenas multas para os pais e a prestação de serviços comunitários para jovens menores de 18 anos – reparações claramente desproporcionais aos danos causados. O catarinense Fernando Bruns, 17 anos, passou um ano inteiro sendo bombardeado por colegas de turma no popularíssimo site de relacionamento Orkut. Na escola, ele era ameaçado fisicamente e chegou a pedir ajuda a um policial. Hoje aluno de outro colégio, Fernando lembra: "Foi um pesadelo. Acabou. Não desejo a ninguém o mesmo sofrimento".

Fonte: Veja