4 de maio de 2011

Uso correto dos pronomes demonstrativos


Os pronomes demonstrativos estão muito presentes e vivos em vários textos publicados, nas redações escolares, nos vestibulares etc. Mas será que estamos usando corretamente estes pronomes?

Na escola, aprendemos que os demonstrativos são os pronomes que indicam a posição dos seres em relação às três pessoas do discurso, que são:

Este, esta, isto – primeira pessoa, indicação do que está perto do falante e longe do ouvinte.
Esse, essa, isso – segunda pessoa, indicação do que está perto do ouvinte, mas longe do falante.
Aquele, aquela, aquilo – terceira pessoa, indicação do que está longe tanto do falante quanto do ouvinte.

Depois deste lembrete, vamos explicar agora o uso correto destes pronomes em orações bem usuais que podemos nos deparar em muitos textos do dia a dia:

• Em relação ao tempo

1. Usamos o demonstrativo “este” e flexões quando quer se referir ao tempo presente, ou bastante próximo, do momento em que se fala:

Este dia está bom para levar as crianças ao parque.

Pretendo ir ao cabeleireiro ainda nesta semana.

2. Usamos o demonstrativo “esse” e flexões para se referir ao um tempo passado relativamente próximo ao momento em que se fala:

Em fevereiro, fez muito calor. Nesse mês, fui muitas vezes à praia com a minha família.

Há dois anos, terminei a minha pós-graduação. Nesse ano, fui morar em Londres.

3. O demonstrativo “aquele” e flexões são usados para se referir a um tempo muito remoto ou bastante vago:

Em 1954, a Copa do Mundo de Futebol foi realizada na Alemanha Ocidental. Naquele ano, o país-sede sagrou-se campeão.

Na penúltima década do século passado, chegaram ao Brasil os primeiros telefones celulares. Naquela época, poucas pessoas poderiam adquirir um aparelho assim.

• Em relação a palavras

1. Quando queremos fazer menção a algo que ainda vai falar, ou acabou de ser mencionado, usa-se o demonstrativo “este” e flexões. Veja alguns exemplos:

Chegou tarde ao trabalho por causa do trânsito. Isto (“Chegou tarde”) poderia ser evitado se saísse mais cedo de casa.

Estas são algumas características do Romantismo: subjetivismo, apego à natureza e nacionalismo. (“Estas” se referem ao “subjetivismo, apego à natureza e nacionalismo”, ou seja, àquilo que ainda iria ser dito)

“Não quero mais nada”, disse o contador. Dizendo isto, foi embora e nunca mais voltou.

2. Quando fazemos menção a algo já dito antes, ou queremos repeti-lo acrescentando características ou explicações, usamos o demonstrativo “esse” e flexões. Observe alguns exemplos:

Subjetivismo, apego à natureza, nacionalismo; essas são algumas características do Romantismo. (“essas” se refere ao “subjetivismo, apego à natureza, nacionalismo”, ou seja, a termos já dito anteriormente)

O estudo do visagismo iniciou-se na década de 1930. Nesse estudo, dá-se ênfase aos traços do rosto.

3. Há casos em que podemos usar “este” em oposição a “aquele” quando se faz referência a elementos já mencionados: “este” para o termo mais próximo e “aquele”, para o mais distante:

Português e Literatura são disciplinas que me agradam muito: esta (Literatura) me desenvolve a sensibilidade e aquele (Português), o conhecimento de como se fala e escreve corretamente.

Observação
a) O pronome demonstrativo “aquele” e flexões podem ser substituídos por “o”, antecedendo o pronome relativo “que”: Somos o (aquilo) que somos. Esta é a casa que comprei, mas não é a (aquela) que queria.
b) Outros pronomes demonstrativos:
• Tal, equivalente a “este”, “esse” e flexões: Tal fato é digno de repreensão.
• Mesmo e próprio, que são demonstrativos de reforço: Ele mesmo resolveu o problema. Ela própria registrou a queixa.

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