3 de agosto de 2010

A capa



A capa é a embalagem do livro. Papel mais grosso, muita cor para chamar a atenção. Quando um editor me chama para fazer uma capa, vai logo dizendo que eu estou livre para criar e vai passando as coordenadas: bota orelha - não bota orelha, mas acham orelha muito caro porque gasta papel... Formato? O de sempre. Não pode mudar. Os livreiros não suportam livros que não caibam nas prateleiras. Tem título (enorme, geralmente) e subtítulo para o leitor entender melhor o que o autor quis dizer com o título. Tem o nome do autor (ou vários). É autor importante? Vende muito? É artista de TV? Então coloca o nome bem grande. Grandão! Tem logotipo da editora na primeira capa, na quarta capa, na lombada. "Dá pra ser colorido? Dá pra ser maiorzinho?"

Ah, sim! Bota novamente o autor e o título na capa de trás. É para o leitor não se esquecer quando acabar de ler todo aquele texto da quarta capa. Olha! Não se esqueça do código de barras e do ISBN.

É importante, sabe, a globalização, a gente precisa mostrar que é "muderno". Acabou? Não. Falta o texto da orelha - geralmente tirado do prefácio, ou seja, lá de dentro do livro tem o mesmo texto, de  novo. Pra quando? Depois de amanhã, sem falta. O pagamento? No dia dez do mês que vem, e geralmente estamos no primeiro dia do mês anterior.

Então o editor me diz? a gente escolheru você porque você é criativa. Quero uma capa linda. Ponha sua imaginação para trabalhar. OK! Se sobrar espaço na capa...

É assim. Oitocentas vezes foi assim na minha vida.

Moema Cavalcanti, designer de livros

2 comentários:

personalescritor disse...

Bem interessante o texto desse post; seria cabível, em parte, ao trabalho do revisor (que, aliás, não pode ser nada criativo).

Marcia, obrigada por me linkar, nesse seu bonito e interessante blogue. Conte com minha reciprocidade.

Marcia Moreira disse...

Obrigada, professora, pelo elogio e incentivo de sua parte.