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25 de julho de 2012

De onde vem "bullying"?

Essa é mais uma palavra nova que surgiu, sendo muito divulgada. É um termo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos. Infelizmente, essa prática tem sido, a cada dia, mais "aprimorada" por meio de divulgação via celular e internet, levando as vítimas a se afastarem da vida social.

A palavra veio do inglês bully, que significa "tirante", "valente". Por ser inglesa, ainda não consta nos dicionários de língua portuguesa aqui no Brasil como palavra estrangeira, nem no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Mas existe o verbo "bulir", que tem o mesmo sentido de "bullying": caçoar, mexer, causar incômodo.

De onde vem "combo" ?




Hoje, no meu trabalho, estávamos discutindo como surgiu a palavra "combo".

Para quem não sabe, "combo" é uma palavra nova que surgiu na língua portuguesa e ainda não foi dicionarizada, porém se encontra no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa como adjetivo ou substantivo masculino. Sua origem é inglesa, sendo abreviação de combination (combinação).

Como disse, essa palavra ainda não está no dicionário, mas é só aguardar que, assim como muitas palavras novas que surgem e são dicionarizadas, "combo" também estará. A ABL já aceita em seu novo vocabulário.

15 de setembro de 2011

De onde vêm as palavras: Ser homem de boa-fé



No capitólio romano havia o templo da Bona Fides, Boa Fé, cuja festa era celebrada a 1º de outubro. Transações privadas precisavam ter fides publica, fé pública, que garantia a convivência social mediante a confiança que os cidadãos deveriam ter uns nos outros. Os que ali faziam promessas e depois as descumpriam, ainda antes da sistematização do direito, eram pessoas de má-fé, expressão que atravessou os séculos e ainda é usada. Já ser homem de boa-fé é ser pessoa de bem, em cuja palavra se pode confiar, ainda que designe também o homem simples, que em sua boa-fé pode ser enganado pelo de má-fé.

Fonte: De onde vêm as palavras II

21 de março de 2011

De onde vêm as palavras: Toda verdade deve ser reinventada

Esta frase é do psicólogo e educador suíço Jean Piaget. Suas teorias sobre o desenvolvimento do pensamento e da linguagem no homem tiveram efeitos profundos na educação no século passado.

Dono de uma inteligência deslumbrante, publicou os resultados de sua primeira pesquisa aos 10 anos e aos 22 já era doutor em biologia.

Sua obra inclui a publicação de 70 livros e 300 artigos. Aos que perguntavam de onde tirava tanto tempo para escrever tanto, respondia que não precisava ler Piaget. Era uma forma bem-humorada de reconhecer que seus escritos eram de leitura indispensável.

Fonte: De onde vem as palavras II

25 de fevereiro de 2011

De onde vêm as palavras (22): Surdo como uma porta


As paredes têm ouvidos, mas as portas são surdas. Os antigos romanos faziam suas oferendas à deusa Porta, suplicando-lhe favores, beijando-a, molhando-a com lágrimas, perfumando-a e enfeitando-a com flores. Tinha também o costume de gritar diante de uma porta fechada, dirigindo-lhe injúrias para desabafar, o que faziam também à própria deusa quando não tinham seus pedidos atendidos.

O escritor romano Feustus registra o costume, denominado occentare ostium (injuriar a entrada, a porta), que vigorou ainda por vários séculos durante a era cristã.

No Brasil pode ter havido influência das cancelas e portões cujos gonzos emperravam e impediam o som das portas, que era o sinal de que estavam funcionando bem. Porta surda era aquela que não podia ser aberta, a não ser com muita dificuldade.

O poeta brasileiro Alberto de Oliveira atribuiu sentimentos e inteligência às portas no soneto A vingança da porta; os ingleses acham que surda é apenas a maçaneta; e os franceses, sempre preocupados com a culinária, dizem "surdo como uma panela".

Fonte: De onde vêm as palavras II

25 de novembro de 2010

De onde vêm as palavras (21): Não sabe nem o dó, ré, mi


Para tachar alguém de analfabeto, diz-se que "não sabe nem o ABC". A frase serve para designar quem nada entende de música. As denominações para as notas foram dadas pelo musicólogo italiano Guido D'Arezzo, que se inspirou nas primeiras sílabas de um hino a são João, o Evangelista, composto em latim por um cantor de igreja que estava resfriado. Nele o cantor pedia ao santo que lhe devolvesse a voz.

Os seis versos começavam com "Ut", "re", "mi", "fa", "sol", "la". A primeira nota mudou para "dó", permanecendo "ut" apenas para os eruditos. E a última, "si" foi formada com as iniciais do nome do santo em latim: Sancte Joannes. Em latim, o "jota" tem som de "i".

Fonte: De onde vêm as palavras II

8 de outubro de 2010

De onde vêm as palavras (20): Todo poder emana do povo e em seu nome é exercido


Estas frases compõem o primeiro parágrafo de várias Constituições brasileiras e estão presentes tam´bem na que está em vigor, promulgada a 5 de outubro de 1988, que substituiu a de 1967, maculada por atos institucionais.

A primeira foi outorgada em 1924 por D. Pedro I. A seguinte, de 1981, já foi republicana e pautou-se na dos Estados Unidos, em que o presidente é figura com mais poderes do que um imperador.

Seguiu-se a de 1934, substituída pela de 1937, outorgada por Getúlio Vargas. A de 1988, como a de 1946, foi fruto de uma Constituinte. As frases lembram que os poderosos estão em seus cargos a serviço do povo.

Fonte: De onde vêm as palavras II

17 de setembro de 2010

De onde vêm as palavras (19): Falais baixo, se falais de amor


A frase é um conselho do célebre dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare, que se casou aos 19 anos, abandonou o lar e passou a dedicar-se ao teatro. Alguns dizem que ele nunca existiu, sendo uma invenção histórica sobre a qual muitos estão de acordo.

A existência de sua obra, porém, é fácil de ser comprovada em muitos lugares do mundo, em diversas línguas e vários palcos, onde vem sendo encenada há quatro séculos.

Suas peças apresentam uma variedade impressionante de personagens e temas, com destaque para o amor e a política, quase sempre entrelaçados.

Fonte: De onde vêm as palavras II

20 de agosto de 2010

De onde vêm as palavras (18): Saber é poder


Caiu na boca do povo esta frase que dá conta dos poderes do saber. Foi originalmente escrita pelo filósofo e chanceler inglês Francis Bacon, um dos criadores do método experimental nas ciências. Foi ele quem tornou a pesquisa independente do princípio da autoridade e do método dedutivo ao formular sua teoria da indução.

No século XVI, as finalidades sociopolíticas do saber não eram tão óbvias como atualmente, sendo o filósofo um precursor nessa questão, dando importância social aos conhecimentos científicos.

Fonte: De onde vêm as palavras II

20 de julho de 2010

De onde vêm as palavras (17): É a ovelha negra da família



A história desta frase nasceu do trabalho pastoreio. Em todo rebanho, sempre existe aquele animal de trato difícil, insubmisso, que não acompanha os outros. Está-se cuidando das ovelhas, protegendo-as dos lobos, providenciando-lhes os melhores pastos, e, de repente, uma delas se desgarra. Essa é a ovelha negra.

Por metáfora, a frase passou a ser aplicada nas famílias, ou em outras comunidades, aos filhos ou afilhiados que não têm bom comportamento. Na Ilíada, Homero relata o sacrifício de uma ovelha negra como garantia do pacto celebrado entre Páris e Menelau, que resultou na Guerra de Troia. Mas ela não foi punida por por mau comportamento. Como tantas ovelhas negras, ela era inocente.

Fonte: De onde vêm as palavras II

5 de julho de 2010

De onde vêm as palavras (16): É gente de meia-tigela

Em Portugal, nos tempos monarquicos, haia vários tipos de nobreza, entre os quais ganhavam destaque a nobreza territorial e a de títulos. Habitavam os palácios, porém, diversos rapazes que, dados os serviços domésticos que executavam para autoridades, tinham direito a rações, prescritas no Livro da cozinha del rel, diligenciada pelo veador, supervisor do mordomo-mor.

Tão logo chegavam à corte para trabalhar, moços vindos do interior eram tratados com desprezo pelos que já moravam no palácio. Não tendo direito ainda a moradia, recebiam apenas alimentaçao e, por isso, eram tratados com ironia pelos mais antigos com fidalgos de meia-tigela.

Fidalgos de meia-tigela jamais quebrariam a tigela, não porque soemnte dispusessem da metade dela, mas porque apenas os grandes fidalgos podiam quebrar a tigela por ocasião de ritos importantes.

Fonte: De onde vêm as palavras II

18 de junho de 2010

De onde vêm as palavras (15): É um pé-rapado

No Brasil colonial, pés-rapados eram os trabalhadores que produziam riqueza na lavoura e nas minas. Com seu trabalho, o rei português dom João V enchia as burras monárquicas de ouro e diamantes vindos do Brasil. Gastou fortunas em doações a ordens religiosas e foi gigantesco o esbanjamento que garantiu a vida luxuosa da corte, a ponto de o seu reino tornar-se a maior nação importadora europeia. Mas erigiu  também museus, hospitais e a Casa da Moeda, além de providenciar a canalização do rio Tejo. Tudo pago pelos pés-rapados brasileiros.

Fonte: De onde vêm as palavras II

14 de junho de 2010

De onde vêm as palavras (14): Dar de mão beijada

Com o significado de entrega espontânea, esta frase nasceu do rito empregado nas doações ao rei ao papa.

Em cerimônias de beija-mão, os fiéis mais abastados faziam suas ofertas, que podiam ser terras, prédios e outras dádivas generosas. O papa Paulo IV, em documento de 1555, aludiu a esses meios regulares de provento sem ônus, dividindo-os em oblações ao pé do altar e de mão beijada.

Desde então, a frase tem sido aplicada para simbolizar favorecimetos.

Fonte: De onde vêm as palavras II

7 de junho de 2010

De onde vêm as palavras (13): Amigos, perdi o dia

O imperador romano, Tito Flávio Vespasiano, tido por seus contemporâneos como "a delícia do gênero humano" por reiterar que todos os dias, deveria praticar-se uma boa ação, numa espécie de escoteiro avant la lettre, é autor destra frase, exclamada ao final de cada dia em que não pudera cumprir seu propósito.

Mas Tito foi também o responsável pela guerra travada pelos romanos contra os judeus, uma das mais sangrentas de toda a história, que resultou na destruição do templo de Jerusalém, do qual só restou o pedaço de uma parede, hoje conhecido com o nome de Muro das Lamentações, onde os judeus costumam orar.

Fonte: De onde vêm as palavras II

27 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (12): A seleção é a pátria de calções e chuteiras

Definição tão nacionalista, sumária, apaixonada e inapelável só poderia ter vindo do arsenal de frases memoráveis do célbre dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues. Dono de um estilo inconfundível não apenas no teatro, mas também na crônicas, teve sempre como o futebol uma relação apaixonada. Seus comentários esportivos cultivavam, por vezes, o paradoxo. Vituperando jornalistas que faziam análises lógicas, racionais, ele os chamava de idiotas da objetividade. Em 1970, quando a seleção deixou o Brasil sob vaias para ir buscar o tricampeonato no México, Nelson, um dos poucos a acreditar naquele time glorioso, setenciou: "A seleção deixou o exílio".

Fonte: De onde vêm as palavras II

21 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (11): Pôr em pratos limpos

O primeiro restaurante foi aberto na França, em 1765. Estabeleceu-se, desde o início, que a conta seria paga após a pessoa comer, ao contrário do que depois veio a acontecer com os lanches rápidos. Quando o dono ou o garçom vinha cobrar a conta, e o cliente ainda não havia feito a refeição, os pratos limpos eram a prova de que ele nada devia.

A frase passou a servir de metáfora na resolução de conflitos. Quem gostava de pôr tudo em pratos limpos, com "a alma lavada e enxaguada", era o personagem Odorico Paraguaçu, criado por Dias Gomes em O bem-amado, e vivido por Paulo Gracindo.

Fonte: De onde vêm as palavras II

18 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (10): A emenda saiu pior do que o soneto

Querendo uma avaliação, certo candidato a escritor apresentou um soneto de sua autoria ao poeta português Manuel Maria Barboa du Bocage, pedindo-he que marcasse com cruzes os erros encontrados. O escritor leu tudo, mas não marcou cruz nenhuma, alegando que elas seriam tantas que a emenda ficaria ainda pior do que o soneto. A autoridade do mestre era incontestável.

Bocage levou essa forma poética a tal perfeição que fazia o que bem queria com um soneto, tornado-se muito popular, principalmente em improvisos satíricos e espirituosos, pelos quais é conhecido.

Fonte: De onde vêm as palavras II

14 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (9): Dar nó

As origens desta frase provêm de Portugal e da Índia.

Em Portugual, dar um nó era casar. E, como os vínculos do matrimônio católico, além de indissolúveis, eram e são perpétuos, quando se dizia que alguém tinha dado um nó se indicava que se havia casado. Na Índia, o nó era explícito, pois se costumava dar nó nas caudas das roupas da noiva e do noivo.

Passou depois a indicar situação complicada, mas ainda como casar aparece em As variedades de Proteu, de Antônio da Silva, o Judeu:
"E antes te aperte o nó do Himeneu
do que na garganta te aperte outro nó."

Fonte: De onde vêm as palavras II

11 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (8): Pentear macacos

Esta frase, proferiad como ofensa, é adaptação brasileira de um provérbio português: "Mau grado haja a quem asno penteia". Na tradição de Portugual, pentear burros e jumentos seria tarefa menor, quase necessária. Provavelmente o verbo significava escovar, um luxo para animais de carga. Mas no século XVIII, o animal já havia sido substituído por bugio em Portugal e por macaco no Brasil, talc omo aparece em documento de 1756 assinado pelo rei dom José, que deve ter penteado muitos macacos, já ue quem exercia o poder era o marquês de Pombal, que, inclusive, transferiu a capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro.

A expressão foi registrada por Luís da Câmara Cascudo em Locuções tradicionais do Brasil.

Fonte: De onde vêm as palavras

6 de maio de 2010

De onde vêm as palavras (7): Conversa mole para boi dormir

Significando assunto sem importância, esta frase nasceu quando o boi era tão importante que dele só não se aproveitava o berro. Tratado quase como pessoa, com ele, os pecuaristas conversavam, não, porém, para fazê-lo dormir.

Nas touradas, quando o boi ainda é touro, até sua fúria compõe o espetáculo. Na Copa de 1950, o Brasil venceu a Espanha por 6 a 1 e quase 200 mil pessoas coantaram Touradas em Madri, de Carlos Alberto Ferreira Braga, o Braguinha, que termina com este verso:

"Queria que eu tocasse castanholas e pegasse um touro a unha/caramba, caracoles/não me amoles/pro Brasil eu vou fugir/isso é conversa mole/para boi dormir."

Fonte: De onde vêm as palavras II